Liberais Vermelhos

Somos liberais. E somos vermelhos. Ainda vai discutir?

sexta-feira, agosto 04, 2006

Assassinatos expressos no Oriente

Capa do "The Independent". Peguei no Orkut.
Guerra é assunto complicado. Quando acontece perto da gente, a tendência é assumir postura em um dos lados (ou fugir pra longe, lógico). Quando estoura lá onde Judas perdeu as botas (e quebrou o pescoço), a tendência é ficar num dos lados em que já estávamos antes do conflito. Dessa maneira, Israel já é vilão pros que acusam sua supremacia na região e suas atitudes para com palestinos, do mesmo modo como já é herói pros que a associam ao último pilar da “civilização-judaica-cristã” naquelas bandas. Para os primeiros, os que se opõem a esse maniqueísmo são baba-ovo de Washington e da “doutrina Bush”, filhotes do neoliberalismo e ainda mijam na cama. Para os segundos, os opositores são anti-semitas, neonazistas, comunistas safados e um monte de outras coisas que eles acham parecido com isso.
A questão é que considero muito difícil tomar partido total de um dos lados em conflitos desse tipo. Que o Oriente Médio é um barril de pólvora, todos sabem desde o pré-vestibular. Que muita gente naquele canto detesta Israel, todo mundo ta careca de saber. Qual a novidade, então?
Israel não é coitadinho. O Holocausto parece ter encravado uma imagem em muita gente, um desses preconceitos “à brasileira”: criticar Israel passa ser criticar os judeus, assim como criticar as cotas é associado a uma postura racista. Ora, nem um, nem outro. Israel foi atacado em sua soberania, é certo. Tem um monte de abutres loucos pra morder sua carniça, é certo. Não pode vacilar. A resposta a um ataque militar, ou mesmo a seqüestro de soldados, não poderia ser diferente. Ao contrário do que muitos pacifistas ingênuos pregam, as coisas nem sempre se resolvem na conversa. Muitas vezes um acordo diplomático apenas posterga um conflito inevitável. Muitas palmas são desperdiçadas para apertos de mão que de amigáveis só têm a propaganda. Nesse sentido, apesar de não concordar nunca com a violência (sou um desses pacifistas ingênuos), não vejo surpresa na reação de Israel, nem consigo argumentar fortemente contra sua decisão.
Por outro lado, não estamos diante de uma guerra comum. Não se trata de soldados cruzando fronteiras, trucidando-se à vontade na linha de frente. Trata-se, aqui, de guerra de sufoco. Busca-se encurralar o governo adversário atacando o que ele tem de mais precioso – a opinião pública, incorporada nas vítimas civis. A condenação mundial em massa, a condenação da imprensa em massa, concentra-se sobre Israel simplesmente porque seu poderio é indiscutivelmente maior do que o do adversário. Mas o foco não é Israel, o foco são civis mortos diariamente em ataques cirúrgicos, concentrados, precisos para quebrar o mais rapidamente possível o elo fraco da corrente.
Esse tipo de conflito é covarde, certamente. Uma intervenção mundial no sentido de apaziguar o conflito não me parece garantia de paz. Uma tomada de posição dos EUA junto a Israel me parece suficiente para garantir tranqüilidade a este último para manter sua investida até a rendição do adversário. Essa guerra de sufoco, longe de ser apenas retaliação contra uma soberania atacada, é um aviso aos que estão por perto: “não se aproximem, não pensaremos duas vezes antes de revidar”. Dadas as condições de Israel e a inimizade que seus vizinhos nutrem, quem pode condenar tal postura? Porém, dada a crueldade de uma guerra desse tipo, atingindo quem pouco tem a ver diretamente com o conflito, quem pode concordar com tal postura?
Uma corrente de ódio só quebra quando alguém resolve partir, muitas vezes em sacrifício próprio. Não é de surpreender, nem de xingar, que cada um queira manter seu elo o mais firme possível.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Nooossssa!! Quão bem escritas estão essas matérias! Tô perplexa. E ainda falam mal os historiadores de outras federais que mal conhecem os profissionais que estão se formando na Unirio....
Gente, vcs estão de parabéns! Mto por dentro dos assuntos. Gostei mto da matéria sobre a Heloísa Helena. Além de bem crítica, é certamente mto engraçada. Eu preciso dizer, q assisti a entrevista. Deu uma vontade de matar a Fátima Bernardes, que burra! Ela disse assim, lembram(?): Vc tá dizendo que vai tomar os latifúndios dos fazendeiros? (é pra rir, né?) E a Heloísa Helena, respondeu: Meu amor, isso é anti-constitucional!!!
Um bjos a tds e bom sucesso nesse blog.
Glauce =)

agosto 11, 2006 4:07 PM  

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